FE
HFmrEF sai; HFrEF passa a FE <50% e HFpEF a FE ≥50%.
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A nova diretriz de insuficiência cardíaca e a 5ª Definição Universal de Infarto não pedem apenas novos nomes. Elas reorganizam prevenção, diagnóstico e prioridade de conduta.

fenótipo · estágio · terapia
02CHOQUESCAI A–E
03IAMprimário · secundário · procedimento
Se você é paciente: comece pelos blocos em verde-claro e pelas caixas “em linguagem direta”.
Se você é estudante ou profissional: percorra as tabelas, critérios e notas de nuance clínica.
O mapa em 60 segundos
HFmrEF sai; HFrEF passa a FE <50% e HFpEF a FE ≥50%.
A–D contam a trajetória, do risco à insuficiência cardíaca avançada.
“IC aguda” dá lugar a “IC descompensada”: a piora também pode ser gradual.
FMT, AMT e GDIT organizam medicamentos e intervenções por função clínica.
SCAI A–E descreve risco, pré-choque, choque clássico, deterioração e extremis.
Tipos 1–5 saem; entram IAM primário, secundário e relacionado a procedimento.
A ideia que costura tudo
Classificar melhor não é decorar mais. É decidir mais cedo e explicar melhor por quê.
Parte 1 · insuficiência cardíaca
A fração de ejeção ajuda a escolher evidências, mas não resume etiologia, pressão de enchimento, congestão, função do ventrículo direito ou trajetória.
A faixa antes chamada de “levemente reduzida” passa a integrar a insuficiência cardíaca com FE reduzida.
FE preservada não significa coração normal: o diagnóstico ainda exige a síndrome e evidência objetiva de alteração cardíaca.
Estágios A–D
Em risco
Há fatores de risco, mas não há sintomas ou sinais atuais/prévios, alteração cardíaca estrutural ou funcional, nem biomarcador cardíaco elevado.
Prevenir e tratar o risco antes do primeiro sintoma.Pré-IC
Ainda não há sintomas ou sinais, mas já existe alteração estrutural, funcional ou biomarcador compatível com dano/estresse cardíaco.
Reconhecer cedo e impedir a progressão.IC sintomática
Alteração estrutural e/ou funcional acompanhada de sintomas ou sinais atuais ou prévios de insuficiência cardíaca.
Aqui entram HFrEF <50% e HFpEF ≥50%.IC avançada
Sintomas graves, disfunção importante e eventos recorrentes apesar de terapia médica e intervencionista otimizada.
Encaminhar cedo para avaliação avançada.Não confunda: estágio A–D descreve progressão da doença; NYHA descreve limitação funcional. Um paciente do estágio C não “volta ao B” só porque ficou assintomático com tratamento.
Nova nomenclatura terapêutica
Não é uma fila rígida. Dispositivos e procedimentos podem ser avaliados em paralelo à otimização medicamentosa quando existe indicação.
Base com recomendação Classe I e benefício em eventos para pacientes não selecionados daquele fenótipo.
Medicamentos para sintomas, qualidade de vida ou subgrupos específicos, conforme recomendação e fenótipo.
Dispositivos e procedimentos recomendados, como CRT, CDI, suporte mecânico ou intervenções valvares em cenários selecionados.
SGLT2i e MRA passam a ser recomendados como base comum. Na HFrEF, bloqueio do eixo renina–angiotensina e betabloqueador completam os quatro pilares.
IC descompensada
A nova definição prioriza sinais ou sintomas graves o suficiente para exigir atenção urgente e início ou intensificação do tratamento — com ou sem internação.
Hipoperfusão por disfunção cardíaca primária. Requer reconhecimento, causa reversível e escalonamento rápido.
Instalação rápida, redistribuição de fluido e esforço respiratório. Vasodilatação pode liderar quando a pressão permite.
Congestão pulmonar de instalação geralmente gradual; pode aparecer em todo o espectro de FE.
Pressões direitas elevadas, congestão sistêmica e risco de disfunção renal e hepática.
Nuance importante: quente/frio e seco/úmido continuam úteis para descrever perfusão e congestão. Eles não substituem a apresentação clínica, a causa precipitante nem a trajetória.
Procure a causa em paralelo
Descongestão é verbo
Diurético de alça IV quando há sobrecarga, com dose orientada pelo uso prévio e pelo contexto renal.
Reavaliar precocemente sintomas, exame, débito urinário e, quando útil, sódio urinário.
Intensificar se necessário com maior dose ou bloqueio sequencial; acetazolamida IV ou hidroclorotiazida oral entram em pacientes selecionados.
Confirmar descongestão sem provocar hipoperfusão; creatinina isolada não conta toda a história.
Choque cardiogênico · SCAI A–E
O estágio deve ser revisto depois das intervenções. Deteriorar de C para D muda urgência, equipe e estratégia.
Sem choque agora, mas com contexto capaz de evoluir.
Instabilidade hemodinâmica sem evidência de hipoperfusão.
Hipoperfusão que exige intervenção além da reposição volêmica.
Falha em responder às primeiras intervenções.
Choque refratário ou parada com múltiplas intervenções simultâneas.
Lactato elevado, oligúria, alteração do sensório, extremidades frias e disfunção de órgãos compõem uma avaliação multiparamétrica. Nenhum marcador isolado substitui o quadro clínico.
Parte 2 · 5ª Definição Universal
A nova taxonomia é conjunta — ESC, ACC, AHA e WHF — e foi desenhada para acompanhar o caminho real do diagnóstico.
Oferta insuficiente para a demanda. Pode produzir sintomas, alteração elétrica ou imagem funcional sem necrose.
Troponina cardíaca acima do percentil 99 específico por sexo; aguda quando há elevação e/ou queda.
Lesão miocárdica aguda acompanhada de evidência clínica, elétrica, anatômica ou por imagem de isquemia.
A frase para guardar: troponina elevada isoladamente é lesão miocárdica. Não fecha IAM primário — e pode nem ser infarto.
A nova classificação
Ocorre espontaneamente por uma patologia coronária aguda: aterotrombose, dissecção coronária espontânea, embolia ou vasoespasmo, entre outras.
Trombose de stent, reestenose e falha de enxerto após 30 dias também podem entrar aqui.Outra condição aguda provoca desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio, com lesão miocárdica aguda e evidência objetiva de isquemia.
Taquiarritmia, hipotensão ou hipertensão podem ser gatilhos — mas o desequilíbrio isolado não basta.A isquemia e a lesão resultam de uma complicação de procedimento cardíaco percutâneo ou cirúrgico ocorrida em até 30 dias.
A categoria vai além de angioplastia e cirurgia de revascularização.| Antes | Agora | A nuance que impede erro |
|---|---|---|
| Tipo 1 | IAM primário | A categoria nova é mais ampla: inclui toda patologia coronária aguda, não apenas aterotrombose. |
| Tipo 2 | IAM secundário | Mantém o eixo oferta–demanda, agora com critérios mais objetivos para demonstrar isquemia. |
| Tipos 4 e 5 | IAM relacionado a procedimento | Complicação de qualquer procedimento cardíaco percutâneo ou cirúrgico em até 30 dias. |
| Tipo 3 | Primário, secundário, relacionado ou não especificado | O cenário clínico e a necropsia definem a categoria; se isso não for possível, usa-se “não especificado”. |
cTn acima do p99 específico por sexo + elevação/queda.
Sintomas, ECG, imagem ou evidência coronária compatível.
Primário, secundário ou relacionado a procedimento.
O que não desapareceu: STEMI/NSTEMI, reperfusão, estratificação de risco, Killip e os algoritmos de síndrome coronariana aguda continuam tendo suas funções. A nova classificação descreve a causa e o contexto do IAM.
Em linguagem direta
Nem toda troponina alta significa “artéria entupida”. E insuficiência cardíaca não começa apenas quando aparece falta de ar ou inchaço. Descobrir o contexto certo muda tratamento, prevenção e acompanhamento.
Para a prova e para o plantão
Distinguir lesão de infarto, nomear o cenário causal, classificar estágio de IC e SCAI, reconhecer hipoperfusão mesmo sem hipotensão e ligar cada fenótipo à primeira prioridade clínica.
Mi, Explica
Este especial será conectado às próximas videoaulas do canal. Até lá, ele funciona como mapa de revisão e como ponto de partida para discutir casos.
Referências primárias
Conteúdo educativo, atualizado em 3 de setembro de 2026. Síntese para ensino e divulgação; não substitui a leitura integral das diretrizes, protocolos locais ou avaliação médica individualizada.